A grande revisão técnica pode instalar o “caos” na Ferrari

A Ferrari corre o risco de abrir a porta para o “caos”, caso altere muito sua organização em resposta às falhas de confiabilidade, afirma um dos seus rivais

 

O retrospecto nas últimas três corridas foi um desastre para a equipe de Maranello. Sebastian Vettel se distanciou de Lewis Hamilton, com a diferença de 59 pontos para o líder, após um acidente em Cingapura e problemas no motor, que o tiraram da prova na Malásia e no Japão.

Os problemas recentes fizeram a Scuderia reforçar seu departamento de controle de qualidade. A equipe recorreu à contratação de Maria Mendoza, especialista em metais e produtos químicos, para ajudar a levantar seus esforços na área.

Szafnauer revelou qual seriam suas ações para contornar uma situação tão dificil como a da Ferrari.

Para Otmar Szafnauer, chefe de operações da Force India, que também teve experiência em trabalhar nos fabricantes anteriormente com a Honda, a reação que a Ferrari deve tomar agora é comprometer-se com os sistemas e as pessoas que tem no momento.

O chefe romeno explicou qual seria sua medida caso a equipe indiana passe por uma situação semelhante. “O que você tem que fazer é passar pelos procedimentos que tem e apenas segui-los. Se isso acontecer aqui colocamos na lista de falhas e revelamos o ocorrido. Então, o engenheiro responsável dirá qual a causa raiz, como vamos consertá-la e como vamos garantir que isso não aconteça novamente. A partir daí, você se concentra na confiabilidade, por exemplo.”

E continuou: “O que você não pode fazer é começar a mudar os processos que sempre trabalharam para você, porque então se torna um caos. Se o processo não funcionar, você deve dar um meio passo atrás, uma visão retrospectiva e dizer: vamos corrigir o processo e segui-lo.”

Arrivabene ainda vai ter muita dor de cabeça para reeguer a Ferrari nessa temporada.

Szafnauer sugere que ter fé em seus sistemas é ainda mais importante quando as equipes são grandes como a Ferrari – porque é muito fácil para a estrutura se desintegrar.

“Quando o time é grande, é aí que você precisa das coisas processuais no lugar. Então, se todos seguirem e acharem a causa raiz, você pode corrigi-la, testá-la e verificar que não aconteça novamente”, disse ele. “Isso é o que eu faria. Geralmente, quanto maior a equipe, mais você precisa disso.”

Perguntado sobre a dificuldade que é para as escuderias manterem uma abordagem nivelada quando enfrentam situações como a atual da Ferrari, Szafnauer declarou: “Isso também é um pouco cultural. Tudo depende de quem você é e de quem você não é. Mas se você tem procedimentos no lugar que todos sabem que devem estar seguindo e está feliz por terem sido estabelecidos ao longo do tempo, então, mesmo com emoção, você pode superar isso.”