Especialista diz que negociação de motores pesa mais no orçamento das pequenas equipes da F1

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De acordo com o Doutor em Relações Comerciais da Universidade de Londres, Paolo Aversa, a diminuição do valor dos contratos com as unidades de força da atual F1 pode melhorar a competitividade de times considerados pequenos como a Manor Racing.

 

Em estudo inédito realizado pela Universidade de Londres, o Doutor em Relações Comerciais, Dr. Paolo Aversa, chegou a conclusão que a diminuição dos valores da venda de motores híbridos na atual F1 pode ajudar a melhorar a competitividade de pequenas esquadras como a Manor Racing. Segundo o docente, mais de 68% do orçamento das equipes-clientes no grid é usado para custear a transferência de tecnologia das unidades de força. Com isso, a renda das montadoras do grid da F1 consegue superar em até 25% do valor das quotas publicitárias, realizadas pelos patrocinadores de cada fabricante de motores híbridos.

“Com a venda de componentes tecnológicos de outras empresas de F1 [montadoras] para outros times [equipes-clientes], aprendemos que existe uma relação de custo benefício bastante diferente entre ambas”, analisou.

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Segundo Aversa, a maior parte dos gastos das pequenas equipes na F1 são por conta dos motores

“Desta forma, as equipes-clientes ficam presas ao desenvolvimento e inovações criadas pelas próprias fabricantes. Isso implica numa relação não tão benéfica para as escuderias que não possuem motores próprios. Elas precisam doar pouco mais da metade do orçamento para a compra das unidades de força. Esse dinheiro tanto poderia ser usado para o pagamento com credores, como também no desenvolvimento dos seus carros”, explicou.

“Além disso, as montadoras já possuem o lucro de contar com o uso da tecnologia de motores para a fabricação dos carros atuais em que são vendidos para consumidores normais. E isso influência muito nos investimentos deles [das montadoras] para a Fórmula 1”, complementou.

Aversa também comparou os gastos com o uso do túnel de vento. Segundo o Doutor de Relações Comerciais da Universidade de Londres, a Williams e a McLaren-Honda são as duas equipes que mais lucram com o aluguel dos seus equipamentos para o desenvolvimento aerodinâmicos de escuderias-clientes na Fórmula 1.

Uma das soluções apontadas pelo estudo do renomado professor britânica seria o financiamento da construção de túnel de vento para as equipes intermediárias do grid da atual F1. “Como a maioria das indústrias de alta tecnologia, a F1 adota esta tecnologia de ponta em vários setores”, citou.

Aversa também descreveu que uma das soluções

Financiamento de construção de túnel de vento pode cortar custos para equipes na F1, diz Aversa

“E isso implica que alguns times que possuem uma maior infraestrutura. E eles costumam alugar os seus equipamentos para outras que não possuem a mesma infraestrutura. Foi assim no passado entre McLaren e Caterham”, lembrou. “A Caterham utilizou os túneis de vento de Woking por três anos. A quantia usada para pagar o aluguel do equipamento poderia ter sido usada para financiar a construção da tecnologia para Leadfield. Mas, isso não foi realizado”, comparou. “O mesmo caso aconteceu envolvendo a Williams com a Sauber”, complementou.

Questionado sobre qual seria o melhor modelo financeiro da atual F1, Aversa citou que o plano de negócios da McLaren-Honda é o mais elaborado. O Doutor em Relações Comerciais da Universidade de Londres afirmou que a criação da McLaren Applied Technologies – empresa responsável pela venda de tecnologia desenvolvida pelo time de Woking – é um dos passos em que outras escuderias como Ferrari, Mercedes, Red Bull Racing (RBR) poderiam aproveitar para criar um mercado competitivo e diminuir os gastos das escuderias intermediárias.

“Hoje, há na F1 mais patrocinadores do que 10 anos atrás”, citou. “Mas, isso não é o bastante, pois eles estão distribuídos somente nas grandes e tradicionais escuderias”, analisou. “Acho que isso deve-se por conta da ausência na mudança estratégica de algumas equipes e a criação de mercados paralelos ao que já existem no grid”, opinou.

“Um exemplo disso é a McLaren que criou a McLaren Applied Technologies. Essa empresa não somente vende equipamentos e suporte como telemetria para outros times, como também usou o conceito tecnológico da F1 para o monitoramento de pacientes em hospitais”, destacou.

“Acho que este seria o melhor caminho a seguir por outras escuderia. Tanto para garantir um mercado que tornasse o grid mais acessível para outros times, como também, aumentasse o lucro existente na F1”.