“Eu sempre sentirei um grau de responsabilidade pela morte de Ayrton”, revela Newey

O autor do projeto do carro no qual Senna morreu, o Williams FW16 de 1994, assume em sua autobiografia que se sente responsável pelo acidente fatal do brasileiro

 

Adrian Newey, campeão mundial pela Red Bull, Williams e McLaren, é visto como o mestre da aerodinâmica na Formula 1. Sua carreira na elite do automobilismo, apesar de ser admirável, tem uma parte sombria: ele foi o responsável por projetar o carro no qual Ayrton Senna se envolveu no acidente que ceifou sua vida, no GP de San Marino, em 1994. Em sua autobiografia, lançada no dia 2 desse mês, o britânico assume que sente um grau de responsabilidade pela morte da lenda brasileira. Até hoje as causas do acidentes são debatidas, e mão se sabe se o que ocasionou a colisão foi a aerodinâmica, o pneu furado ou um erro do tri-campeão.

“Eu era um dos engenheiros responsáveis em uma equipe que desenhou um carro em que um grande homem foi morto. Independentemente de a coluna de direção ter causado o acidente ou não, não há como escapar do fato de que algo ruim nunca deveria ter entrado no carro. O que me faz sentir a maior culpa, porém, não é a possibilidade de que a falha da coluna de direção possa ter causado o acidente, porque eu não acho isso, mas sim o fato de eu ter complicado a aerodinâmica do carro”, contou Newey na sua autobiografia.

Senna é o maior ícone que o brasil já teve no automobilismo

Newey assume o que errou, e que sua falha pode ter levado ao acidente fatal. Na transmissão o vivo do GP de San Marinode 1994, logo após o acidente, o narrador da corrida e outros personagens apontaram que o problema parecia ser a coluna de direção.

“Eu interpretei errado a transição da suspensão ativa (em 1993) de volta à passiva e projetei um carro que era aerodinamicamente instável, no qual Ayrton tentava fazer coisas que o carro não era capaz de fazer. Se ele teve um pneu furado ou não, ele estava por dentro em uma linha mais rápida e ondulada em um carro que era aerodinamicamente instável… Isso pode ter tornado o carro difícil de controlar, mesmo para ele”, disse o britânico que projetou o Williams FW16, último carro que Senna pilotou na sua vida.

Newey segue cético sobre o tribunal que investigava a histórica colisão

Após o acidente de Senna, houve um tribunal que julgou seis pessoas que poderiam estar ligadas ao acidente. Essas pessoas eram: Frank Williams (dono da escuderia), Patrick Head (diretor técnico da equipe), Roland Bruynseraede (diretor de prova), Federico Bendinelli (organizador da prova), Giorgio Poggi (diretor do circuito) e o próprio Adrian Newey. O promotor que os acusou, Maurizio Passarini, levou em conta que as pessoas da Williams seriam responsáveis pela alteração na barra de direção do bólido do brasileiro. Já as pessoas ligadas à prova, foram processadas por que o promotor afirma que a curva Tamburello não cumpria os padrões de segurança.

O julgamento acabou com Newey absolvido, após cinco anos de batalhas judiciais. Mas o que o britânico responsável pelo projeto do carro de Senna aponta é Passarini só fez o processo por causa de visibilidade. A tese de Adrian tem base no caso Roland Ratzenberger, piloto desconhecido que havia gastado suas últimas economias por uma pacote de cinco GPs na Simtek, equipe novata na F1. O austríaco morreu no sábado, durante o classificatório, apenas um dia antes de Senna. Por se tratar de um piloto desconhecido, Newey afirma que nem o promotor nem outra pessoa quis assumir o caso.

“Eu sempre sentirei um grau de responsabilidade pela morte de Ayrton, mas não culpa. O fato de que o caso de (Roland) Ratzenberger ter sido tão facilmente varrido sob o carpete me deixa desconfiado de que as principais motivações de Passarini possam ser glória e notoriedade pessoais”, conta Adrian Newey.