Medo brasileiro

Por Rafael Ligeiro

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Entre 1980 e 1993, a França foi uma das potencias da Fórmula-1. Nessa época, o país contou com um batalhão de pilotos na categoria. Gente do quilate de René Arnoux, Didier Pironi, Patrick Tambay, Jacques Laffite e Alain Prost. Mais que isso, bons resultados vieram. Foram 67 vitórias em 220 corridas. Cinco vice-campeonatos e quatro títulos de Pilotos em apenas 14 temporadas.

Contudo, a situação mudou drasticamente ao país europeu após a aposentadoria do Professor Prost, ao final de 1993. Vitórias? Somente duas: nos Grandes Prêmios do Canadá de 1995 (Jean Alesi) e de Mônaco de 1996 (Olivier Panis). E a síntese mais fiel à derrocada francesa está no grid. Nenhum francês iniciou a temporada 2011 como titular; algo, aliás, que também não atingiram nas 19 provas do campeonato passado.

No entanto, não é bem sobre a França que desejo abordar nesse artigo. Mas sim do nosso Brasilzão. Afinal, sobra ocasiões em que escuto torcedores – e até mesmo colegas jornalistas – questionarem a qualidade da atual jovem safra de pilotos brasileiros no Exterior. Percebo que há um temor de que o País siga o caminho decadente percorrido nos últimos anos pela França na Fórmula-1.

Sinceramente, ainda não há um piloto da nova geração verde-amarela que me empolgue. Daquele tipo que você jura que vai chegar à Fórmula-1 e arrebentar. Assim como ocorrera com Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Assim como ocorreu, restrições devidamente respeitadas, com Rubens Barrichello e Felipe Massa.

Isso, contudo, de modo algum significa que não tenhamos bons valores. César Ramos, Adriano Buzaid, Felipe Nasr, Yann Cunha e Lucas Foresti são alguns dos nomes que poderão nos representar bem nas pistas durante os próximos anos. Mas ficam naquela popular dependência: fazer muito bonito em certames de base e conquistar patrocinadores poderosos. Gente capaz de bancá-los até a Fórmula-1. E, quando por lá chegarem, esses patrícios precisarão mostrar ainda mais serviço. Pois será necessário deixar claro que possuem muita qualidade para alcançar grandes times. Apenas assim poderão brigar por pódios sucessivos, vitórias e títulos.

Sinceramente… É muito bacana ficar de olho na carreira dessa garotada, acompanhar cada teste, treino e corrida deles. Mas é cedo para qualquer tipo de cobrança. Muito cedo. Eles ainda precisam amadurecer profissionalmente em categorias de base. De qualquer modo, compreendo aqueles que cobram essa turma. Afinal, a geração anterior de pilotos do nosso Brasilzão, em que era depositada enorme esperança, infelizmente, ainda não deu certo.

E não falo de Massa. Tampouco de Barrichello.