Parlamento da União Europeia apoia pedido de investigação sobre distribuição de renda na Fórmula 1

Parlamento europeu

O pedido foi solicitado pela Force India e Sauber no fim de 2015. Segundo a acusação, as duas equipes se queixam que a maioria da renda obtida pela F1 é distribuída de forma desproporcional no grid, dando assim, melhores condições de competitividade para os times de ponta.

 

Enfim, o parlamento da União Europeia (UE) aprovou o pedido de investigação sobre a concentração de renda existente na Fórmula 1. Para quem não se lembra, a antiga Lotus,  Sauber e a Force India entraram com a ação em 2015, onde acusavam os gestores do esporte – Bernie Ecclestone e a CVC Capital Partners – de criar uma concentração dos recursos para beneficiar as equipes de ponta do grid da F1. Essa situação infligia a ‘Lei de Concorrência’ existente para o mercado europeu.

Nesta terça-feira (14), a questão foi colocada em votação pelo parlamento europeu. O item que pedia a investigação foi aprovado por 467 votos. 156 deputados votaram contra. E 86 deles se abstiveram. Embora a administração da Fórmula 1 tenha mudado – onde agora é comandada pela Liberty Media -, o caso será analisando utilizando o antigo regulamento comercial. Essa possibilidade foi confirmado pelo membro da comissão britânica do parlamento da União Europeia, Anneliese Dodds.

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“Realizamos uma votação para saber quem apoiaria a investigação”, citou Dodds em entrevista para a revista britânica ‘Autosport’. “Então, chegamos a compreensão que este caso precisa de uma investigação urgente. Estamos preocupados com a concorrência existente nas indústrias da Fórmula 1”, declarou.

“Eu estou feliz que o parlamento europeu tenha adotado o pedido de investigação de forma completa e imediata sobre as práticas anticoncorrenciais na Fórmula 1”, destacou. “Algumas semanas atrás, a Manor Racing se tornou a equipe que virou a mais nova vítima diante do atual sistema de distribuição de renda na F1. Os administradores tiveram a sua equipe em colapso e não encontraram novos investidores que pudessem salvar o seu negócio”, exemplificou.

“As equipes menores são justamente as que são punidas. Pois por não ter competitividade necessária, elas terminam deixando o grid, pois as maiores premiações ficam com as escuderias que possuem mais recursos financeiros”, destacou.

Dodds também comentou sobre a questão de venda das ações financeiras da Fórmula 1 para a Liberty Media. Segundo o membro do parlamento da UE, o novo acionista da F1 precisará se explicar porque teve o enriquecimento financeiro após adquirir as cotas de controle da principal categoria do automobilismo mundial. “Há também um conflito recente significativo”, respondeu.

Force India e Sauber acusam gestores da F1 de promover a não-concorrência livre no esporte

“E isso no esporte ao que se refere à venda das ações para a Liberty [Media]. Depois que houve a compra das cotas financeiras, a Liberty teve o aumento de US$ 79,5 milhões [R$ 246,6 milhões]. E isso aconteceu após a autorização da venda”, argumentou. “Escrevi várias cartas para a Comissão de Anticoncorrência da União Europeia, pedindo a autorização da investigação. E estou muito feliz que esses pedidos tenham sido ouvidos”, destacou.

“Devemos garantir que empregos não sejam mais perdidos. Que possamos qualificar ainda mais o nosso trabalho. E permitir que o esporte amado por mais de 500 milhões de fãs possa se tornar ainda mais competitiva e atrativa”.